quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Romance dos Sonhos..

Ricardo Carvalho..

"Há dez centímetros de silêncio entre tuas mãos e minhas mãos..
Uma fronteira de palavras não ditas entre teus lábios e meus lábios..
E algo que brilha assim de triste entre teus olhos e meus olhos.."
Mario Benedetti
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Decidi escrever um romance.
O problema é que ele não existe.
E se existir um dia, não posso confirmar.
Acho que estou dormindo.
Que dessa vez meus sonhos que se encarreguem, da história elaborar.

Não sei por onde começar.
Das outras maneiras já iniciadas, cansei de tristeza ao terminar.
Dessa vez pode ser tudo novo.
Como sempre minhas esperanças não cansam de desanimar.

No inicio uma surpresa traz boas noticias, a novidade de lhe reencontrar.
Antes que esqueça, necessito a donzela da história lhes apresentar..
Tem um sorriso encantador, olhos que brilham como o luar.
Cabelos negros como a noite, alguma coisa querendo desbotar
Tem ainda, aquele medo. Medo cauteloso de seu coração entregar.
Perfume inconfundível, com a incrível capacidade de embriagar.
Paro por aqui, pois a definindo corro riscos de a limitar.

Aqui nessa história de um sonho, já é madrugada e eu teses a elaborar.
O que foi o que não é. O que deve ou acontecerá.
Sujeito tolo eu, somente observo e ao seu lado quieto não consigo ficar.
Algo me aflige, talvez a ânsia ao ver o tempo passar.
Ela é confusa, do tipo que precisa se desvendar.
Talvez criança. Talvez mulher. Capacidade simples de ser singular

No meu sonho já lhe expliquei das estrelas, do significado que podem carregar.
Disse que as estrelas caem como forma de presente para quem sabe amar.
Por isso caem tão poucas, mas jamais se vêem estrelas que param de brilhar.

Devia eu parar com minhas histórias sonhadas e logo acordar?
Algo me diz que sonho sozinho, e antes cedo do que mais tarde me distanciar..
É dificil acreditar sem se magoar.
Crer infinitamente no desejo ou voltar a realidade. Parar de viajar.
É claro, ainda pode ser inicio, coisas devo eu, estar a atropelar.
Mas quem gosta não espera, o que é bonito não se deve guardar.
A vida é breve, dedicada aos audaciosos que decidem arriscar.

Ainda não sei por onde começar.
Ou se finalizado estará, quando desse sonho despertar.
Acho que acordado, estou eu a sonhar..


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. ♪♪ Enquanto O Sol Brilhar - Catedral . ♪♪
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sobre desenhos e fotografias...

Eugênio Salles

Permita que eu feche os meus olhos, pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça: que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio, e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo".
Cecília Meireles



Ora Bolas!
Já afirmei decididas vezes que escrever era algo triste e solitário, por vezes doloroso.
Disse que quando estivesse feliz, com tudo realizado, estaria descansado.
Vivendo intensamente, escrever não mais seria meu fardo.
Poderia sim, dedicar meu tempo para criar, criticar,
sonhar diante de minhas próprias histórias.
Observar a perfeição do desenho de cada dia, ao amanhecer.
Porém, ouso voltar atrás e desdizer o que havia dito.
Quero compor meus versos decididamente.
É que há dias o desejo ardente de conhecer a vida,
Passou outra vez a fazer parte do meu viver.
Tenho muito a dizer ainda, mas neste momento
quero é compreender... Compreender nem sei o que...
Talvez, o mistério de caminhar, encontrar e desaparecer.
Diz o poeta que “a vida é a arte do encontro,
embora haja tanto desencontro pela vida”.
Todavia, para os mais audaciosos, “O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela.”
Confuso, não? Viver deveria ser mais atraente.
Aquilo que foi agora volta novamente.
Viver é um oficio de quem não tem melodia, rumo certo ou pontaria.
Viver é acordar e dizer, que seja um bom-dia...
Vou rever a amada, vou melhorar de minha agonia.
Serei mais forte, serei mais calmaria.
Terei paciência, usarei da ousadia.
Olharei em seus olhos e perguntarei, queres a partida ou
a simplicidade de minha companhia?
É assim a vida... Muitas perguntas em cada nova resposta.
Desenhos tantos, onde em cada traço ou rabisco,
viver e escrever se encontram prá anunciar: escrever é bom sempre.
Aflição, dor, agonia, desejos de felicidade compartilhada, momentos de alegria.
Escrever é desenhar a vida e todo desenho pode tornar-se fotografia.
E o mais interessante: “o que vai ficar na fotografia são os laços invisíveis que havia...”



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domingo, 20 de dezembro de 2009

Prá Ser Gaudério não precisa ser Gaúcho

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BIGODE..


Gaudério de respeito, que se preza, se identifica pelo nome.
De jeito e maneira um gaudério das estâncias vai poder se chamar Jack, Jayson, Wilians...
Nome é sinônimo de respeito, tem de fazer medo prá tormenta, esparramo no entrevero, alvoroço entre as prendinhas.
Nome prá ser nome, tem de fazer fechar bolicho, atordoar casamento, atrapalhar até mesmo em velório.
Nome de fato, tem de ser peitudo: Adamastor, Juvêncio, Setembrino...
Ah! E antes que eu esqueça, prá ser Gaudério não precisa ser Gaúcho.
Gaudério de respeito, que se preza , é conhecido também pela profissão.
E não me venham com essa de dizer que prá um Gaudério que se preze não pode isso, não pode aquilo, que causa desconfiança caso decida se tornar cabeleireiro, manicure, massagista, estilista.
Barbaridade! Mas que bobagem tchê.
Tanto pode, como deve ser o que bem entender.
Rapo meus trocos apostando que se a gauderiada assumisse os controle desses brique, ia ser um Deus nos acuda. Não duvido até mesmo de uma revolução, a “revolução das bombachas”.
E olha que seria a segunda maior do MUNDO, perdendo somente para a Farroupilha, é claro.
Bueno! Imagine cabelo cortado a pitaco de facão, depilação feita a leves toques de dentada. E massagem, então, suavemente a tapa, soco e beliscão. Aposto que iria afrouxar tudo no vivente. Duvido que não iria relaxar.
E tem mais: serviços de manicure com adaga de desencravar. Eta Gaudério eficiente e inovador, com as técnicas de lavagem a cuspida e secagem à base do assoprão.
Tem ainda a tal tarologia, feita de maneira moderna, chutando pedra e tirando destino das rachadura do garrão.
Ia ser Bueno, barbaridade, se gaudério assumisse as possibilidade das nova antiga profissão.


 
 
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Viver..

Eugênio Salles


Existem várias formas de olhar o mundo, sugestivas maneiras de encarar a dita realidade, ora difícil, fácil, tranquila, complicada, diferente, complexa, ora simples, contudo problemática. Enfim, nossos olhares e maneiras de viver o mundo, trazem muito de nossa subjetividade.

Na particularidade de cada olhar, o certo e o errado escondem significado próprio, pois viver implica em relações carregadas de sentimentos, expectativas, sonhos, possibilidades, dúvidas, nada de certezas. Dito de outro modo, viver pode parecer coisa estranha, cujos sinais sejam pontos finais, vírgulas, interrogações.

Na linguagem poética, a vida se esconde longe, longe mesmo, na fronteira entre a noite e as estrelas, o dia e o seu brilho caloroso, o amanhecer e o ritmado e imponente batuque da chuva, bem próximo do nada. A vida se esconde no embalo do vento e do tempo que dispensa relógio, nos momentos de sutil delicadeza, nos versos de despedida, de dor ou de tristeza. E é claro, a vida habita o olhar do poeta silencioso ou declarado, olhar forte e apaixonado. Despreocupado passa os dias sem delongas, demoras e Dolores.

Na observação curiosa, a linguagem mais bela, a vida se esconde no lugar mais adequado para ela, o luar. Lá, distante de tudo e de qualquer possibilidade real, está o mistério e o enigma da lua, refletindo o olhar atento do apaixonado desiludido. Toda imponente e majestosa com sua maneira de levar as mensagens de admiração e beleza mesmo a distância, mesmo no impossível, duvidado. A lua, forte e solitária, em sua sinceridade, oferece aos românticos o incomprendível. Ela, que carrega a linguagem da dúvida, esconde o enigma de não poder ser explicada, apenas sentida.

Na linguagem da vida, podemos até encontrar sentidos guardados no olhar de retorno, no sorriso da criança, na tranquilidade do idoso, na paciência no jovem. Mas é na descoberta inesperada, na surpresa, naquela tarde de doces e gostosas risadas que percebemos possibilidades mil, escondidas no prazer da descoberta de que viver é mais que existir.

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sábado, 24 de outubro de 2009

A Distância

Ricardo Salles


Não posso ver, só posso sentir.
Tenho medo de encontrar, porém, desejo te seguir.
Tenho necessidade de ter-te, constante dúvida em buscar-te.
Por isso, observo em silêncio teu passo apressado a se distanciar.

Ela se foi como o tempo se vai com as horas, como os dias se vão com as lembranças.
Perdemo-nos à procura do encontro, na dúvida em acreditar.
Estranho perceber: das certezas nada fica, quando tudo desabar.
Teus dias viram noite, já não consegue mais sonhar.
Afinal, ninguém explica o que explicado está.
Só resta a distância e um olhar sorrindo...

Que vontade eu tenho de ir por aí...
Andar sereno, sem lembrar de ti.
A estrada que tudo leva, não me deixa olhar pra traz.
Pra não lembrar que um dia fui você, tive você em mim.

Letras nem sempre conjugam palavras,
Nessa vida sem rimas, de tristezas justificadas.
Mesmo sem tê-la, eu sei que em algum lugar tu estás.



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sábado, 17 de outubro de 2009

O Olhar Vendado..

Dr Cardoso.

Ora, era uma intrigante cidade aquela. 13 horas, tarde quente na rua General Euclides Terrão (generais sempre viram rua depois da morte, invertendo assim o ciclo de quem é pisado).
Na calçada, ali, sem muita descrição, estava Hugo Marques, o cego, quase louco, sempre zombado. Todos diziam quem não tinha serventia. Ele não via, ele não trabalhava, não comprava, de vez em quando comia. Pra que estar no mundo? A vida do velho era sempre zombaria..
Fazia algum tempo que ele não andava feliz, precisava desabafar, tinha cansado de ouvir choramingos das pessoas, pessoas adoram choramingar...
Pensava consigo:

“A formiga carrega as folhas, o formigueiro a estação. O céu e suas estrelas, o brilho risonho da constelação. Passos, marchas, movimento, luta, ideal, falácias, discussão. Onde estão nossos espaços, maldita maioria democrática do circo e pão.”

Parou, perguntando-se se era mesmo, de fato, um louco..
Resistiu, continuou pensando no passo correto da multidão:

“Normais vocês? Ludibriados, bobos, carregados com a ingenuidade da sua razão. Seus teoremas, estatísticas, modelos econômicos e projeções, riscam o passado, esquecem o presente, e seguem a antiga nova moda de rezar ajoelhados, implorando o amanhã."

Ninguém Compreendia aquele olhar curioso carregado de dúvida do velho, escondia ele alguma coisa mais além. As vezes dava medo, devia ir preso, sempre sugeria alguém..

Ele sorria e continuava na filosofia solitária.

“Ninguém vive por acaso, se preso estiver, só o corpo estará, as idéias são livres, nunca jamais serão trancafiadas. Pensou porém, nesse país nem sempre presos vão os verdadeiros culpados, em nome da história, do sobrenome, do passado, família, poder, domínio manipulado, caráter jogado no esgoto, vergonha cabe somente ao tolo, pobre desesperado, que teme, se bora, da policia, do governo, do Estado.”


Ele acabou abatido, não pela polícia, por pedras ou palavrão. Terminou sozinho no meio daquela confusão, sofrendo solitário, doendo por dentro, pagando caro até pela indiferença da multidão.
Somente uma coisa lhe deixava alegre, era cego, mas não tinha o olhar vendado..

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domingo, 27 de setembro de 2009

Tudo se Escreve..

Eugênio Salles...

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Felizes são aqueles, que tem o sonho maior que os próprios segredos.
Audazes, capazes de viver a utópica simplicidade...
Ferozes, a ponto de correr da temível rotina...
Corajosos, na indecisão da possibilidade não anunciada..
Dos dias que se passam pouco e tudo sobra: escrever.
O simples escrever sobre escrever é um tormento.
Tormento dolorido quanto a ausência da presença indispensável.
Escrever é observar...
Observar tudo, mesmo que isso não passe de uma cena, gravada e reproduzida no cenário do viver, dirigido pelos anônimos.
Ah! E o escrever pitoresco e desafinado do poema melódico...
Isso a poesia o faz tão bem, que a escrita não dá conta.
A poesia produz efeitos que não têm nada a ver com sua forma.
Já dizia o poeta: “o que os olhos não vêem o coração não sente.”
Nessa tese tudo se liga, afinal.
A escrita da vida, em forma de poesia para agradar o coração..
E assim, tudo se escreve...
A letra do poeta para amada que se foi, deixando-o só.
O drama da multidão que se escreve na pena da dor.
A falácia do discurso mediante a inexistência da ação.
Enfim, se escreve sob o peso da culpa e do sofrer.
Pois...
Quando tudo estiver bem não será mais necessário escrever.
Estaremos preocupados demais em viver.
E tudo será escrito, não, desenhado então...
A história desenhada nos olhos de um amanhecer...


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