sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Das Coisas Que Eu Não Entendo..

-Doutor Cardoso.
"...São várias as coisas que eu não entendo, são vários os argumentos que eu não compreendo, são Várias as decisões que me deixam indignado...”

...Quando de minha decisão em se mudar para o campo, não foram poucos os amigos que sugeriram estar louco em minha escolha. Diziam que caminhava ao contrário e devia repensar a atitude de deixar todas as possibilidades da cidade grande para mudar-se para interior. Tinha comigo que aquela seria uma difícil decisão de justificar para comigo mesmo, mas era necessária para minha alegria. Gostaria de naquele momento repensar várias coisas que até ali não entendia. Necessitava pensar sobre alguns momentos e atitudes que até ali não compreendia. Queria a principio fugir de tudo e todos, gostaria de ficar sozinho e em pouco ou nada me questionar, necessitava tranqüilidade. Os dias se passavam agradáveis e pouco pensava em minhas necessidades morando no alto da montanha, bem pra trás do barulhão daquela cidade. As vezes visitava a cidade para comprar alimentos e buscar o mensal dinheiro de minha aposentadoria. Quando acordava disposto, saia logo cedo e andava em direção ao riacho que nascia próximo de casa, me sentia feliz, via naquelas águas a corrente de indagações que nunca parava para maiores explicações. Admirava o movimento triste e calmo daquelas pequenas vertentes que do alto do morro desciam, mas não entendia como podia algo tão simples jamais poder ser detido, como poderia toda a força do homem, toda sua arrogância de sabedoria engenheira e mecanicista, não explicar como podiam perder para aquele pequeno, mas imponente riosinho.
Sempre que possível, me sentava na varanda e ficava a analisar ao longe a correria da cidade que ali por perto sucumbia. Pensava de que maneira podia eu fazer parte de tudo aquilo, e de como acima de tudo conseguiríamos nós, modificar toda aquela estrutura pré-determinda e que tanto influenciava em nossas opções. Ao meu ver era um extremo desperdício de vida. Relutando comigo mesmo analisava passo a passo cada decisão, me detinha na maior parte das vezes na relevância das escolhas das pessoas e de como elas influenciariam na vida de todos. Ficava triste ao perceber que nem sempre o desejo do bem coletivo seria respeitado em função do privilégio egoísta de alguns poucos. Ficava mais triste ainda com o desperdício do tempo por maior parte das pessoas, transformavam o tempo em equação matemática e deixavam de viver aqueles belos momentos em companhia das pessoas que tão bem queriam.
Ficava perplexo ao perceber que ali, no interior, no meio do mato, no alto da montanha, poderia eu encontrar a tranqüilidade. Conseguia me sentir distante daquela realidade tão dura e difícil de ser encarada.
Não pensem vocês que estaria eu fugindo de um problema pelo qual também era culpado, pelo contrário estava eu ajudando a resolver esse problema, pois seria um a menos na cadeia de escravos do tempo e das obrigações que traziam recompensas financeiras. Não fazia mais parte daquela corrente e me entristecia perceber que talvez estava só.
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__( Voltaremos..)
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Um comentário:

Thaís C Farsen disse...

Muito bom... lá no alto observando tudo... Nem sei se de alguma forma poderia se dizer que estavas fujindo de tudo aquilo nem que estavas deixando de ser um dos escravos do tempo que estavam lá embaixo... Sendo apenas você, sem ser necessário entender o porque nem como.