segunda-feira, 9 de março de 2009

E Assim Ela Se Foi...

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EUGÊNIO SALLES...
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Seus pais não acordaram, continuaram sonhando...
Não fez barulhos, poderia ser pega.
Seria melhor assim. Não gostaria que ninguém soubesse. Temia que não se importassem..
Poucas coisas na mochila..
Sim, ela fugiu de casa. Foi embora. Era Mariana, mas poderia ser Joana, Marcela ou Lucí. Do tipo das meninas espertas ou muito tolas que se vê por aí...
Não tinha certezas, talvez nem quisesse ter.
Acreditava em poucas coisas. O super-herói não era seu pai, nem sua mãe, tampouco a fada...
E assim ela se foi...
Prá nunca mais voltar..
Caminhava sentindo a brisa no rosto... Sorrindo brevemente, admirando, vivendo a liberdade...
Era maravilhoso, como não tinha pensado nisso antes, questionava-se Mariana.
Foi feliz por alguns dias, belos e demorados... Foram 16 anos sonhando com um momento como aquele..
Lembraria para sempre do que encontrou pelas ruas.
O Russo Stalinovski, que atirava facas, cuspia fogo e saltitava malabares; Anita, a italiana que contava histórias de Castelo, afirmando sobre um caixote, que tivera sido Princesa do Reino de Maragosa.
Voltaria no tempo, só para sentir o prazer de ouvir os versos do apaixonado Pirata Poeta...
Mariana quase não acreditava que estava vivendo tamanha emoção.
Sentia-se livre. Como era fascinante ser autora de sua caminhada. Não seguir caminhos prontos, não ter parada.
Começava a entender sobre o poder que seu pai tanto lhe explicava. Se bom era mandar no próprio nariz, quanto melhor não seria mandar no nariz de toda a gente que avistava na estrada?

E assim Mariana Fugiu de casa. Não estava tão triste como naquela manhã raiada. Mas ainda não estava satisfeita, precisava descobrir a que fim levava aquela estrada...
Por dias procurou atônita todas as possibilidades, da alegria incontida, até a dor do choro amargurada...
Queria tudo. Ali, naquele momento, naquele minuto, segundo...
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Nunca mais iria voltar...
E assim ela se foi...
Seus pais, é claro, acordaram, mas Mariana se encarregou de continuar sonhando por eles.
Viveu anos de perguntas inacabadas e incompreendidas. Caminhando só e sem parada. Foi assim que iniciou, e assim que iria terminar.
Alguns pedidos, muitas histórias, vários romances...
Percebeu enfim, que as estradas levavam a vários finais e possibilidades, e isso prá ela já bastava...
Lhe encantava o caminhar, o conhecer, até mesmo o fugir...
Mariana percebeu que sua estrada deixava poucos rastros, e isso não lhe entristecia.
Ninguém vive para ser notado, mas sim, para que sua falta seja sentida, pensava ela...
E assim continuou por dias, meses, anos..
Sempre conquistando o que ninguém imaginaria..
Sua vida não teve barreiras, foi marcada pela audácia..
Existiu somente um momento em que Mariana se deparou com o peso da idade e pensou na dor...
Mas estamos falando de Mariana amigos, que sabia que não se vive, nem se morre em vão...
Ela se foi e, de fato, nunca mais voltou. Não precisava, Mariana sabia a direção a seguir. Isso lhe bastava...
Era Mariana, mas poderia ser Joana, Marcela ou Lucí. Do tipo das meninas espertas ou muito tolas que se vê por aí, que demoram a compreender que o passado se constrói a cada novo amanhã e que a Vida é muita breve pra ser desperdiçada
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VOLTAREEEMOOSSS...
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3 comentários:

martina disse...

#Ninguém vive para ser notado, mas sim, para que sua falta seja sentida'

muito bom isso.

Alex Gruba disse...

interessante, jovem padawan...

Thaís disse...

"...Do tipo das meninas espertas ou muito tolas que se vê por aí..."

... e do tipo dos meninos espertos ou tolos demais, que demoram a compreender... que a liberdade é uma das melhores sensações que podemos ter...
E quando ver, se foi. É.